*Canos, RS – 14 de dezembro de 2025*
Um caso de violência sexual e abuso familiar chocou a cidade de Canoas na última sexta-feira (12), quando a Polícia Civil prendeu preventivamente um casal acusado de estuprar a própria filha, uma menina de apenas 12 anos. As investigações, conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), revelaram detalhes aterradores: o pai mantinha relações sexuais com a filha com o consentimento da mãe, que não só tolerava os abusos como participava ativamente do encobrimento do crime.
A denúncia inicial partiu de um anônimo ao Conselho Tutelar, que acionou imediatamente as autoridades. A partir de imagens encontradas no celular do suspeito, a polícia obteve provas contundentes dos abusos. Em depoimento, a menina relatou que o pai justificava os atos dizendo que “era normal entre pai e filha”.
O caso ganhou ainda mais gravidade com a descoberta de que a criança engravidou do próprio genitor. Sem assistência médica, ela teria provocado um aborto em casa, desferindo socos contra o próprio abdômen. A mãe admitiu à polícia ter visto o feto no vaso sanitário — com cerca de dois meses de gestação — e dado a descarga.
Durante as buscas no bairro Niterói, onde a família residia, houve momentos de tensão: populares tentaram linchar o casal, que foi retirado sob escolta policial. Ambos permaneceram em silêncio diante das acusações.
Além dos crimes sexuais e contra a dignidade da criança, o casal é investigado por supostos desvios financeiros. Segundo a polícia, eles teriam se apropriado de recursos de um vizinho por meio de transferências via PIX, possivelmente com o objetivo de fugir para o estado do Pará.
A vítima foi encaminhada a um abrigo seguro, sob proteção da Rede de Enfrentamento à Violência. O delegado Maurício Barison, responsável pelo caso, ressaltou a importância da articulação entre Conselho Tutelar, polícia e serviços sociais para garantir a integridade da menina e a continuidade das investigações, que agora também apuram a responsabilidade dos suspeitos pelo aborto induzido.
O caso segue sob sigilo judicial, mas as autoridades reforçam o apelo: qualquer suspeita de violência contra crianças e adolescentes deve ser imediatamente denunciada.



